Por Marcele Juliane Frossard de Araujo
Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio, 2015)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2012)
A Sociologia é uma ciência social que surge em consequência
das ideias iluministas e da busca de diferentes intelectuais de compreender a
sociedade e suas dinâmicas. O principal fator social que conduz ao surgimento
deste campo de conhecimento foi a Revolução Industrial e suas consequências,
como a divisão do trabalho e o processo de urbanização.
Autores como Karl Marx, Friedrich Engels, Alexis de
Tocqueville, Le Play, Spencer, se dedicaram a estudar os problemas da nova
sociedade que surgia na Europa. Em diferentes países começava a aparecer, no
século XIX, o interesse de conhecer os problemas sociais e políticos a partir
de um ponto de vista científico e todo esse processo indicava o surgimento de
um novo campo de conhecimento.
O nome “Sociologia” foi criado por Auguste Comte, também
considerado o pai do positivismo. Comte observava uma transformação da
sociedade europeia, mais especificamente da sociedade francesa, em que a
sociedade militar e teocrática era substituída por uma sociedade industrial e científica
(LALLEMENT, 2008, pg. 71). Essa crise poderia ter consequências catastróficas,
e a memória do que havia sido a Revolução Francesa ainda era muito recente para
desejar que outras revoltas acontecessem.
É assim que surge, no século XIX, a Sociologia, enquanto
campo de estudos da sociedade e suas dinâmicas. A sociologia francesa é
conhecida como a principal responsável pela institucionalização da disciplina,
quando Émile Durkheim foi convidado a ministrar a disciplina em Bordéus em
1887. Assim sendo, foi primeiramente na França que a disciplina passou a ser
considerada uma ciência e a fazer parte das disciplinas universitárias.
Émile Durkheim, foi na verdade o primeiro a estabelecer um
método sociológico e a definir o objeto de análise dessa disciplina, é por isso
que ele também é considerado um dos pais da Sociologia. Assim como Comte,
Durkheim também pretendia entender a sociedade e seus problemas para evitar
crises e revoltas sociais. O problema que mais o inquietava era o da anomia
social, ou seja, a falta de solidariedade e o crescimento do individualismo.
Ele também foi responsável por conceituar o fato social enquanto saber
coletivo, formas de agir e pensar, que coagem os indivíduos.
Outro autor que também é considerado um dos fundadores da
sociologia é Gabriel Tarde. Ele também se dedicou a compreender o que constitui
o vínculo social e o fato social, mas sua teoria se distanciava da de Durkheim
por considerar que o fato social poderia ser definido a partir das interações
entre as consciências individuais. Para Tarde o fundamento do vínculo social
era a imitação, os homens imitam os atos dos outros homens e ao reunirem esses
atos em comum, de pequenas ações, de modos de pensar, essas similitudes formam
um conjunto, o coletivo.
Por fim, é na virada do século XIX para o XX que a
Sociologia realmente se estabelece como uma ciência e uma disciplina
universitária. Foi na França, na Alemanha, nos Estados Unidos e na Inglaterra
que surgiram suas principais teorias. E autores como Max Weber, Georg Simmel,
Thorstein Veblen, Robert E. Park, dentre outros são também importantes neste
início.
Referências Bibliográficas:
LALLEMENT, M. História das ideias sociológicas: das origens
a Max Weber. Petropólis, RJ: Vozes, 2008.
BERTHELOT, J.M. Que sais-je? Paris, PUF, 1991.
Arquivado em: Sociologia
fonte : infoescola
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