Por Camila Betoni
Mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014)
Graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011)
A Sociologia é a disciplina que se ocupa de estudar a vida
social humana, analisando as dinâmicas da sociedade como um todo e dos grupos
singulares que a compõem. Utilizando de suas ferramentas específicas, é o campo
do conhecimento que investiga as relações sociais entre diferentes grupos
humanos, seus conflitos e conexões. Assim como o psicólogo se dedica a conhecer
os elementos que regem o comportamento de um indivíduo, os sociólogos têm como
missão compreender o funcionamento do comportamento coletivo. Porque a
sociedade é como a conhecemos? Porque é tão diferentes de como era poucos
séculos atrás? Essas são algumas questões centrais que animam o debate
sociológico.
A Sociologia nos ensina a observar o mundo a nossa volta sob
um novo ângulo. Comportamentos e instituições que aparecem como naturais – como
algo que sempre foi igual – aos olhos do sociólogo são fenômenos dotados de
influências históricas e sociais. Ser sociólogo é aprender que algumas coisas,
que percebemos como experiências individuais, na verdade são ações
influenciadas pelo meio social em que crescemos e vivemos. As formas como
refletimos essas profundas influências é objeto de estudo da Sociologia. A primeira
vista, essa abordagem parece nos destituir de autonomia sobre nossas ações, mas
a verdade é que ocorre o contrário. Ao conhecer as forças sociais que atuam
sobre a nossa vida, ganhamos mais liberdade para tomar decisões de forma
consciente.
Essa operação – em que deixamos de lado as aparências
imediatas das coisas para compreender o contexto amplo em que estão inseridas –
é o que chamamos de imaginação sociológica. Ao abordar o ato, aparentemente
efêmero, de tomar uma xícara de café, Anthony Giddens nos dá um exemplo
interessante do exercício dessa imaginação. De quantos ângulos sociológicos
podemos abordar esse gesto cotidiano? Em primeiro lugar, poderíamos dizer que
as pessoas se reúnem para tomar café em um ritual social, que tem muito mais a
ver com a socialização do que com o café em si. Poderíamos refletir também
sobre o fato de que a cafeína, bem como o álcool, são substâncias aceitas no
ocidente, ao passo que outras culturas condenam seu uso e não apresentam
restrições com outras drogas. Um sociólogo também poderia discutir as relações
de produção implicadas no cultivo e comércio do café, que interligam diferentes
regiões do globo, sendo um produto cultivado em países pobres e distribuído em
sua melhor qualidade aos países desenvolvidos. Por fim, poderíamos ainda pensar
nos estilos de vida que se organizam ao redor do hábito de tomar café, como a
tendência, por exemplo, de consumir café orgânico como forma de estimular a
agricultura sustentável. Enfim, as possibilidades da imaginação sociológica são
infinitas quando passamos a entender que escolhas aparentemente individuais
refletem questões amplas. O que fazemos ou deixamos de fazer diz muito sobre o
ambiente social que habitamos.
Com a diversidade de culturas e de grupos sociais que temos
no mundo, é necessário que a Sociologia acolha uma imensidade de temas. Alguns
desses temas centrais, que irão definir as áreas de pesquisa dos sociólogos,
são: a política, o trabalho, a economia, a religião, a educação, as raças e
etnias, a pobreza, as classes sociais, a ecologia, a comunicação e a mídia, os
crimes e o sistema punitivo, o convívio entre diferentes gerações, o gênero e a
sexualidade, os movimentos sociais e muitos outros. Essas áreas de pesquisa nem
sempre são homogêneas, pois englobam diferentes interpretações e formas de
abordar os fenômenos sociais, fazendo da Sociologia uma disciplina bastante
vasta e envolvente. Por dentro do assunto: O que é a sociologia política?
Bibliografia:
GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005.
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fonte : infoescola
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