Por Marcele Juliane Frossard de Araujo
Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio, 2015)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2012)
O proletariado é a classe social formada pelos proletários.
O termo foi difundido pela teoria marxista e indica uma oposição à burguesia.
Segundo o Manifesto Comunista:
Por burguesia entendemos a classe dos capitalistas modernos,
proprietários dos meios de produção social e empregadores do trabalho
assalariado. Por proletariado, a classe dos operários assalariados modernos
que, não possuindo meios próprios de produção, reduzem-se a vender a força de
trabalho para poderem viver. (MARX; ENGELS, 2009, p. 23)
Segundo a teoria marxista a história se explica através da
luta de classes, ou seja, a luta entre opressores e oprimidos. Todas as grandes
transformações engendradas pelos homens são fruto desta luta e estão
relacionadas com a transformação dessas classes. A burguesia, portanto, é a
classe revolucionária de seu tempo, a Revolução Industrial. Foi através da sua
vontade de deixar de ser oprimida que lutou contra a aristocracia e criou uma
nova sociedade, a partir da transformação da sociedade feudal.
Os proletários são os homens explorados pela classe
burguesa, são a classe operária. Para Marx e Engels, era a classe a quem
pertencia o futuro, pois nela estava contida a potência para alterar as
relações sociais e econômicas de exploração. Segundo o Dicionário do Pensamento
Marxista: “Para Marx e Engels a classe operária, engajada em sua luta contra a
burguesia, era a força política que realizaria a destruição do capitalismo e
uma transição para o socialismo” (BOTTOMORE, 1988).
É célebre a frase do Manifesto do Partido Comunista que
versa sobre a força do proletariado para romper com sua condição: “Mas a
burguesia não forjou apenas as armas que lhe darão a morte; também engendrou os
homens que empunharão essas armas: os operários modernos, os proletários”
(MARX; ENGELS, 2009, p. 34). Quanto mais se desenvolvesse a burguesia, mais
explorado seria o proletariado, logo, maiores as forças que reuniriam para
combatê-la.
A reflexão marxista sobre o proletariado teve forte impacto
sobre como os operários pensavam a respeito de si mesmo, influenciando em muito
a pressão dos trabalhadores de todo o mundo na luta por direitos trabalhistas.
A história das greves diz um pouco sobre isso, assim como a história dos
movimentos operários e sindicais.
Porém, diferentemente do que Marx e Engels tinham pensado, a
classe operária não era em si uma classe revolucionária. Durante o século XX os
movimentos marxistas em todo o mundo, especialmente na Europa começaram a se
dividir entre os reformistas e os revolucionários. Ou seja, entre aqueles que
sugeriam uma transição lenta e gradual para o socialismo e os que sugeriam que
apenas uma ruptura radical poderia instaurar o novo sistema. Essa crise
tornou-se mais evidente durante após a Revolução Russa, mas não existe consenso
entre reformistas e revolucionários até os dias atuais.
É importante ressaltar que o proletariado, para exercer seu
caráter revolucionário, necessita, segundo a teoria marxista, de consciência de
classe:
Em sentido estrito, as diferenciações sociais só assumem a
forma de “classe” na sociedade capitalista, porque só nessa forma de sociedade
é que o fato de pertencer a uma dada classe social é determinado pela
propriedade (ou controle) dos meios de produção ou pela exclusão da propriedade
ou desse controle. (BOTTOMORE, 1988)
Por fim, o conceito de proletariado é fundamental para a
teoria marxista, bem como o conceito de consciência de classe. Ambos foram e
continuam sendo objeto de debate.
Referências Bibliográficas:
MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista 1848.
L&PM Pocket, Porto Alegre, 2009.
BOTTOMORE, T. Dicionário do pensamento marxista. Zahar, Rio
de Janeiro, 1988.
fonte : infoescola
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