Por Marcele Juliane Frossard de Araujo
Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio, 2015)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2012)
Estratificação social nomeia um campo de estudos dedicado a
classificar indivíduos e grupos sociais de acordo com status sociais e poder
econômico. De certa forma, esses estudos buscam compreender como uma sociedade
se organiza hierarquicamente. O que distingue àqueles que têm mais poder dos
que não tem poder algum? Ou, o que faz com que alguns tenham muita riqueza e
outros sejam miseráveis? Essas perguntas são questionamentos referentes à
estratificação social.
Dois autores da sociologia são marcos referenciais desses
estudos, são eles Karl Marx e Max Weber. Embora o primeiro autor esteja sempre
associado aos estudos econômicos ele também se dedicou à crítica da economia
política e, consequentemente, aos estudos sobre os aspectos sociais da economia
e de seus efeitos. O segundo busca explicar as posições de classe para além de
seu caráter econômico, associando-o aos aspectos simbólicos, como prestígio.
Marx chama as posições sociais de classe, enquanto Weber as nomeia enquanto
estamentos.
A distribuição desigual de recursos, sejam eles riqueza,
status, prestígio social ou poder, definem uma sociedade estratificada. O
status social de uma pessoa pode, portanto, ser definido por diferentes
fatores, que vão desde o gênero até a riqueza possuída. O cruzamento entre
esses fatores, variando entre autores e campos de estudos, posicionam os
indivíduos em suas posições sociais.
Os estudos sobre estratificação social são importantes
porque permitem compreender como o poder, a riqueza e o status são distribuídos
em uma dada sociedade. A partir disso, é possível pensar as desigualdades para
além dos fatores econômicos ou da concentração de renda, refinando o
conhecimento de conflitos e problemas que se relacionam mais com aspectos
simbólicos que econômicos (BOURDIEU, 2008)
Comumente os livros didáticos de história trazem análises
sobre aspectos sociais que estão diretamente ligados à estratificação social em
diferentes civilizações e momentos históricos. Quando se fala sobre a divisão
de uma sociedade como a medieval em três estamentos, servos, nobres e clero,
está-se a falar sobre estratificação social. Como se vê o status pode ser
atribuído ou adquirido; o segundo também é chamado de meritocracia. Mas, também
se nota que essas análises envolvem outras perguntas que não somente a
classificação e posicionamento social: é possível mudar de classe, estamento ou
posição? Depende da sociedade, da rigidez de suas regras sociais e culturais,
das oportunidades econômicas bem como muitos outros fatores.
Por isso, os estudos sobre mobilidade de classe analisam
trajetórias de famílias, indivíduos e grupos sociais para compreender se existe
mobilidade entre as gerações. Neste caso a estratificação social cruza-se com
outro tipo de análise para refinar o conhecimento sobre posições sociais e
oportunidades de mudança. Por exemplo, quatro aspectos estão diretamente
relacionados com a mudança de classe intergeracional: educação, ocupação
profissional, área de residência, gênero e estado civil (HOLLINGSHEAD, 1975).
Logo, estratificação é um tema importante para discutir
desigualdades sociais, concentração de renda, status social, mecanismos de
distribuição de renda e políticas públicas em geral para redução de
desigualdades.
Referências bibliográficas:
BOURDIEU, P. A distinção – crítica social do julgamento. Zouk, Porto Alegre, 2008.
HOLLINGSHEAD,
A. B. Four Factor Index of Social Status (Non-published work, 1975). Yale
Journal of Sociology Volume 8 Fall, 2011.
BREEN,
RICHARD e ROTTMAN, DAVID B., Class Stratification – A Comparative Perspective,
Londres, HarvesterWheatsheaf, 1995
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