Por Luiz Antonio Guerra
Mestre em Sociologia (UnB, 2014)
Graduado em Ciência Política (UnB, 2010)
A democracia surgiu na Grécia antiga, como uma forma de
governo fundada na participação de todos os cidadãos em assembleia com o
objetivo de tomar conjuntamente as decisões governamentais. Na sua etimologia,
a palavra democracia quer dizer literalmente “governo do povo”, mas o seu
significado é complexo e tem se transformado desde a época dos gregos. Hoje, a
democracia se tornou o regime político dominante na maioria dos países
ocidentais. Acompanhe abaixo as diferenças entre a democracia representativa e
a democracia participativa.
A democracia representativa
Nossos contemporâneos não compreendem a democracia da mesma
maneira que os antigos gregos. Em sociedades complexas, é praticamente
impossível um modelo de democracia direta tal como era praticado na Grécia
antiga. A democracia dos nossos dias é considerada indireta, porque as decisões
não são tomadas por cada um de nós, mas sim por um conjunto de representantes
que elegemos, direta ou indiretamente. Periodicamente, no sistema democrático
brasileiro, nós votamos em representantes executivos em diversos níveis
(presidente, governador e prefeito) e também legislativos (senadores, deputados
e vereadores), para que tomem as decisões políticas, durante seu mandato que em
geral duram quatro anos (oito anos no caso dos senadores).
No pensamento político moderno, a ideia de representação é
central à democracia, pois seria através dos representantes eleitos que se
faria valer a soberania popular. Podemos afirmar que para os defensores da
democracia representativa a principal forma de participação política dos
cidadãos estaria no voto, nas eleições, nas escolhas dos representantes que
irão tomar as decisões por todos nós. Nesse sentido, cada vez mais a democracia
tem sido percebida como um conjunto de instituições e práticas representativas
e, por sua vez, a participação política tem sido reduzida a processos de
escolhas de representantes e de tomada indireta de decisões coletivas.
Entretanto, a democracia representativa tal qual tem se
desenvolvido nos países ocidentais tem sido alvo de uma série de críticas, que
apontam seu favorecimento a uma minoria detentora do poder econômico. Abundam
os casos de corrupção perpetrados por representantes que pouco se preocupam com
o bem-estar dos cidadãos. Um dos “remédios” aos males do sistema político
representativo estaria na realização de uma democracia mais participativa.
A democracia participativa
Também chamada de democracia deliberativa ou ativista, a
ideia de democracia participativa parte do pressuposto de que a participação
política é o principal valor democrático – e não pode ser completamente
substituída pela representação. O ideal participativo supõe cidadãos atentos ao
desenvolvimento da coisa pública, informados dos acontecimentos políticos,
capazes de escolher entre as diversas alternativas políticas e interessados em
formas diretas ou indiretas de participação.
Existem diversas maneiras de participação política nos
regimes democráticos contemporâneos para além do voto, através de associações,
sindicatos, partidos políticos, movimentos sociais e organizações não
governamentais. Da mesma maneira, atividades políticas incluem a participação
em manifestações, marchas e protestos, a pressão exercida sobre um dirigente
político, a difusão de informações, além da própria discussão de acontecimentos
políticos. Existem ainda diversos mecanismos de intervenção direta dos cidadãos
nos procedimentos de tomada de decisão e de controle do exercício do poder,
como por exemplo: consultas populares, referendos e plebiscitos, leis de
iniciativa popular, assembleias, fóruns e audiências públicas, conselhos e
órgãos de controle social, etc. Através de atitudes, instituições e mecanismos
como esses, os defensores da democracia participativa buscam dar maior
legitimidade para o sistema democrático através da descentralização da tomada
de decisões e da participação popular.
Bibliografia:
BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1998.
DAHL, Robert A. A democracia e seus críticos. São Paulo:
Editora Martins Fontes, 2012.
Arquivado em: Política
fonte : infoescola
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