Por Camila Betoni
Mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014)
Graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011)
Esse é um dos conceitos centrais na Sociologia e, por isso
mesmo, é um dos mais discutido e também um dos que acaba ganhando mais
definições diferentes. Para fins de pesquisa, o IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatísticas) classifica a população brasileira em cinco classes
sociais, de A a E, cada uma delas agregando famílias de renda mensal
semelhante. Esse tipo de classificação é bastante utilizado pelo mercado, que
desenvolve suas pesquisas e produtos baseados nos hábitos e possibilidades de
consumo de cada faixa salarial. Na linguagem comum, outras ideias parecidas
surgem quando se fala, por exemplo, na classe “dos mais necessitados” ou
naquela dos “mais privilegiados”. Essas ideias não estão necessariamente
equivocadas, porém, para a Sociologia, a questão é um tanto mais complexa.
Classe social é um termo usado para dar a ideia de que
existem distâncias sociais significavas na sociedade. Isso quer dizer que
indivíduos e grupos são diferentes entre si e ocupam lugares diferentes na
sociedade. Entretanto, sociologicamente, não se pode falar em classes sociais
sem pontuar a existência de relações desiguais entre elas. Na prática, isso
quer dizer que há sempre uma relação de dominação entre uma classe e outra. A
diferença na possibilidade de acesso ao poder político, ao poder econômico, aos
bens culturais, a educação e, outros prestígios valorizados em nossa sociedade,
marcam a diferença entre as classes sociais.
A rigor, podemos dizer que as classes sociais só existem e
só podem ser compreendidas dentro de seu caráter relacional. Isso significa que
uma classe só existe em relação a outra, da mesma forma que você não pode dizer
que uma cidade é longe sem ter um ponto de referência para dizer aquilo que é
perto. Logo, não se pode falar, por exemplo, em “classe dominante” sem a
existência de uma “classe dominada”. A própria sociedade só pode ser entendida
enquanto um emaranhado de relações, onde uma coisa só existe em relação a
outra. Além disso, as classes sociais são compostas por grupos, famílias e
indivíduos, mas existem independentemente de suas vontades, ainda que
influencie as formas como esses grupos e sujeitos pensam e como atuam na
sociedade.
Se a noção de classe social serve, principalmente, para
marcar as distâncias e desigualdades reais que existem entre diferentes partes
da sociedade, ela abarca também uma ideia de conflito de interesses. É no
pensamento marxista que esses choques foram melhor explorados como questão
central para entender a modernidade. Para Marx e Engels a história de todas as
sociedades é a história destes conflitos fundamentais, o qual eles chamam de
luta de classes. Segundo essa lógica, para compreender a história seria
necessário investigar como, em diferentes épocas, as classes mais e menos
privilegiadas entraram em confronto para garantir seus interesses. Para o
pensamento marxista, na época moderna – que se iniciou após a industrialização
e o estabelecimento do capitalismo – esta luta se dá principalmente entre a
burguesia e o proletariado. A classe dominante de um tempo, segundo o
pensamento marxista, por controlar a economia, controla também todos os outros
aspectos da vida social, dominando os aparatos políticos e jurídicos e
exercendo seu domínio no campo das ideias, isso é, definindo a ideologia
hegemônica.
Entre os dois polos extremos – compostos por dominantes e
dominados – encontramos níveis intermediários, onde se encontra o que alguns
chamam de classe média. A definição do que é e como se comporta a classe média
é também um grande tema de debate da Sociologia, sendo que, em alguns
contextos, sua própria definição pode ser alvo de disputa política.
Bibliografia:
CODATO, Adriano; LEITE, Fernando. Baptista. Classe social.
In: Heloisa Buarque de Almeida; José Szwako. (Org.) Diferenças, igualdade. São
Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2009
Arquivado em: Sociologia
Fonte : infoescola
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