Por Marcele Juliane Frossard de Araujo
Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio, 2015)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2012)
O conceito de consciência coletiva foi criado pelo sociólogo
francês Émile Durkheim e é definido como o conjunto de características e
conhecimentos comuns de uma sociedade, que faz com que os indivíduos pensem e
ajam de forma minimamente semelhante. Corresponde às normas e às práticas, aos
códigos culturais, como a etiqueta, a moral e as representações coletivas.
Para Durkheim, um funcionalista, o indivíduo, em muitas de
suas práticas, é influenciado pela sociedade em que está inserido. Logo, o
indivíduo e suas ações são fortemente influenciada pela consciência individual
e coletiva. Mas os limites entre ambas não são muito claros, pois mesmo
decisões consideradas extremamente individuais, como a de tirar a própria vida,
são influenciadas pelas condições sociais.
Isto se torna mais fácil de compreender quando pensamos nos
aspectos individuais de compreensão do mundo, ou seja, as palavras, a língua,
as categorias, as representações o conhecimento do mundo só acontece através de
um mínimo de comunhão a respeito de aspectos básicos para que os indivíduos
tenham algum grau de certeza que quando falam de algo o outro é capaz de
compreender sobre o que fala.
Por exemplo, o processo que cria novas ordens morais,
formadas a partir do entusiasmo coletivo, é contrariado por processos em que
esse entusiasmo diminuiu, como crises sociais profundas. Em seu livro
“Suicídio” o autor aborda possíveis causas para o aumento do suicídio e as
identifica, suicídio anômico, como a falta de um encaixe entre as
representações individuais e coletivas.
Segundo Durkheim:
“O conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos
membros de uma mesma sociedade forma um sistema determinado que tem vida
própria; podemos chamá-lo de consciência coletiva ou comum. Sem dúvida, ela não
tem por substrato um órgão único; ela é, por definição, difusa em toda a
extensão da sociedade, mas tem, ainda assim, características específicas que
fazem dela uma realidade distinta. De fato ela é independente das condições
particulares em que os indivíduos se encontram: eles passam, ela permanece.
(...) Ela é, pois, bem diferente das consciências particulares, conquanto só
seja realizada nos indivíduos. Ela é o tipo psíquico da sociedade, tipo que tem
suas propriedades, suas condições de existência, seu modo de desenvolvimento,
do mesmo modo que os tipos individuais, muito embora de outra maneira”.
(DURKHEIM, 2010, p. 50)
A consciência coletiva está localizada no nível da
estrutura, é sociológica e psicológica, e constitui a cultura e o senso comum
dos indivíduos membros de uma sociedade (LACAPRA, 2001, p.84). Ao contrário do
que “consciência” pode fazer supor, enquanto dimensão consciente do
psicológico, a consciência coletiva é inconsciente e consciente. É importante
atentar para a tradição de pensamento em que este conceito se inscreve,
referenciando-o à tradição francesa, em que Auguste Comte definiu o conceito de
consenso e Jean Jacques Rousseau o de vontade geral. Outro intelectual
importante na definição de Durkheim é Sigmund Freud e o conceito de superego.
Outro aspecto a ser ressaltado é que o conceito foi
desenvolvido para refletir sobre punição, ou melhor, sobre sistemas de justiça
e retribuição. Como ele trata do respeito ou não às normas é muito comum
encontrar o conceito em pesquisas sobre crime e religião. Sendo assim, o
conceito de consciência coletiva está fortemente relacionado com o de anomia e
imagina algum grau de normalidade para as diferentes sociedades.
Referências Bibliográficas:
DURKHEIM, E. Da divisão do trabalho social. WMF Martins
Fontes, São Paulo, 2010.
LACAPRA, D.
Emile Durkheim: sociologist and philosopher. The Davies Group, Publishers,
Colorado, USA, 2001.
Arquivado em: Psicologia, Sociologia
fonte : infoescola
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