Émile Durkheim
Por Camila Betoni
Mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014)
Graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011)
Considerado por muitos como o grande fundador das Ciências
Sociais, Émile Durkheim nasceu na França em 1858 e lá viveu até sua morte, em
1917. Diretamente influenciado pelo positivismo de Auguste Comte, dedicou sua
trajetória intelectual a elaborar uma ciência que possibilitasse o entendimento
dos comportamentos coletivos. Sua grande preocupação era explicar os elementos
capazes de manter coesa a nova sociedade que ia se configurando após a
Revolução Industrial e a Revolução Francesa.
Durkheim determina o fato social como objeto central de
investigação deste novo campo científico. Entende-se o fato social como uma
“coisa” que exerce força de coerção sobre os sujeitos, independente de sua
vontade ou ação individual. O fato social se impõem na direção da sociedade
para o indivíduo e se estabelece de forma a homogenizar e padronizar os
comportamentos particulares, garantindo que sejam coletivos. Propositalmente,
Durkheim chama o fato social de “coisa” para ressaltar que ele é um objeto no
sentido científico, isso é, algo que pode ser observado, definido e explicado
pelo cientista social.
Em seu importantíssimo estudo O Suicídio, publicado em 1897,
Durkheim observa que as taxas de morte voluntária são contantes em diferentes
períodos. O autor trata, portanto, o suicídio como um fenômeno que não age
unicamente sob o indivíduo, mas cujas forças encontram-se atuantes em todo o
corpo social. Logo, Durkheim passa a considerar o suicídio como um fato social
que deve ser estudado e analisado por ele enquanto cientista social. Seguindo
esse raciocínio, o suicídio, ainda que não possa ser considerado como algo
benéfico, é considerado normal do ponto de vista sociológico. Durkheim nota que
em momentos de crise econômica ou política, as taxas de suicídio elevam-se,
fugindo dos padrões. Para ele, esse é um fenômeno anômico, isso é, que foge da
normalidade.
Como um bom positivista, Émile Durkheim têm uma visão
harmoniosa da sociedade e, por conseguinte, os desvios de padrões são sempre
vistos como anomalias que podem ser corrigidas pela organização das forças
sociais. Para Durkheim, as sociedades tradicionais – pré-modernas e
pré-industriais – mantinham a sua coesão através da chamada solidariedade
mecânica, uma vez em que as mudanças não eram comuns e os indivíduos não se
diferenciavam muito entre si e entre as gerações e as atividades profissionais.
Numa sociedade como a nossa, em que as mudanças são rápidas e as atividades de
trabalhos são muito variadas, a unidade social é dada pelo que ele denomina
solidariedade orgânica. Esse conceito traz a ideia de que a sociedade
industrial mantêm-se em um funcionamento relativamente harmonioso,
possibilitado pelo fato de que cada grupo ou indivíduo ocupa uma função
diferente, cumprindo cada um seu papel na sociedade através da divisão social
do trabalho.
O Estado aparece na obra de Durkheim como a instituição
responsável por organizar essa divisão do trabalho, exercendo uma força capaz
de garantir sua unidade. A educação, tema muito discutido pelo autor, também
tem para ele um papel importante na função de preparar o indivíduo para
integrar-se harmoniosamente no corpo social. A colaboração de Durkheim para o
entendimento da sociedade é crucial. Entretanto, o excessivo apagamento do
indivíduo – que só ganha valor quanto útil a sociedade – fez do pensamento
durkheimiano alvo de muitas críticas posteriores.
Bibliografia:
ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. São
Paulo: Martins Fontes, 2000.
DURKHEIM, Émile. Lições de Sociologia. São Paulo: Martins
Fontes, 2002.
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