Por Luiz Antonio Guerra
Mestre em Sociologia (UnB, 2014)
Graduado em Ciência Política (UnB, 2010)
A metáfora da base e da superestrutura (ou infraestrutura e
superestrutura) é de fundamental importância para o método do materialismo
histórico do marxismo. Nas suas obras, Karl Marx e Friederich Engels recorreram
à metáfora do edifício para explicar a sociedade. A sua base ou infraestrutura
seria o conjunto das relações de produção, ou seja, as relações de classes
estabelecidas em determinada sociedade. Sobre esta estrutura econômica se
ergueria a superestrutura, que corresponde às formas de consciência social em
geral, como a política, a filosofia, a cultura, as ciências, as religiões, as
artes, etc. A superestrutura compreende também os modos de pensar, as visões de
mundo e demais componentes ideológicos de uma classe. A ideologia é chamada de
superestrutura ideológica e o Estado é chamado de superestrutura legal ou
política, incluindo aí a polícia, o exército, as leis, os tribunais e a
burocracia.
A superestrutura é derivada do conflito de interesses das
diferentes classes que fazem parte da base econômica de determinada sociedade.
A função da superestrutura é manter as relações econômicas que constituem a
infraestrutura, reforçando assim os interesses coletivos da classe social
dominante. Isto é realizado através da regulamentação, sanções e coerções impostas
pela superestrutura política e pela força persuasiva da superestrutura
ideológica.
Portanto, podemos concluir que, de acordo com o marxismo, o
modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social,
política e intelectual em geral. Isso equivale dizer que diferentes conjuntos
de relações econômicas determinarão a existência de diferentes formas de Estado
e consciência social, que serão adequadas para funcionamento daquelas relações
econômicas. Logo, quando o desenvolvimento das forças produtivas traz mudanças
nas relações de produção, consequentemente a superestrutura será transformada.
Ou seja, a superestrutura não é autônoma, não se dá por si mesma, mas tem seu
fundamento nas forças produtivas e relações de produção.
Está presente em toda a obra de Marx e Engels a ideia de que
a organização social nasce diretamente das relações de produção, as quais, em
última instância, constituiriam a base do Estado e do resto da superestrutura
das ideias, em toda a história da humanidade. O determinismo econômico é a tese
básica do método do materialismo histórico de Marx e Engels. Esta primazia do
fator econômico foi um dos principais pontos de debates e críticas em relação
ao marxismo.
Entretanto, a distinção entre a infra e a superestrutura, e
a determinação da primeira sobre a segunda, não é absoluta. Os cientistas
sociais discordam acerca da autonomia da superestrutura e da influência que
esta teria de também atuar sobre a estrutura econômica. Muitos teóricos
marxistas têm argumentado que as críticas a Marx e Engels provêm de uma leitura
superficial das suas obras, pois eles não queriam dizer que a superestrutura é
apenas um mero reflexo do modo de produção vigente. A partir desse debate,
muitos marxistas no século XX buscaram desenvolver pontos das teorias de Marx e
Engels que não ficaram bem explicadas, como o peso dos aspectos
superestruturais para o desenvolvimento social.
Bibliografia:
BOTTOMORE, Tom (editor). Dicionário do pensamento marxista.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001
BUNNIN, Nicholas
e YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Blackwell
publishing, 2004.
MARX, Karl e ENGELS, Friederich. Ideologia Alemã. São Paulo:
Martins Fontes, 1989.
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