Por Luiz Antonio Guerra
Mestre em Sociologia (UnB, 2014)
Graduado em Ciência Política (UnB, 2010)
O termo “ditadura do proletariado” foi usado por Karl Marx e
Friederich Engels – e posteriormente por Vladimir Lenin – para descrever o
Estado da classe trabalhadora durante a transição ao comunismo, após a
derrubada do estado burguês.
Para Marx, a existência das classes sociais estava ligada a
fases particulares do desenvolvimento de produção. A luta de classes levaria
necessariamente à ditadura do proletariado que, por sua vez, constituía apenas
uma etapa rumo à abolição de todas as classes e à sociedade sem classes – o
comunismo. A ditadura do proletariado seria a etapa transitória posterior à
derrubada do Estado burguês, quando se faria necessário a inversão da relação
de opressão, de maneira a impor a hegemonia da classe operária sobre a
burguesia. A ditadura do proletariado, na concepção de Marx, não é apenas uma
forma de regime (ditatorial) na qual o proletariado exerceria o tipo de
hegemonia até então exercido pela burguesia, mas também era visto como uma
forma de governo, no qual a classe operária realmente governaria e tomaria para
si muitas das tarefas até então executadas pelo Estado. A ditadura do
proletariado tinha a função de desmontar o Estado burguês, abolindo a
burocracia, a polícia e o exército permanente. Para cumprir seus objetivos, era
preciso que o proletariado se utilizasse da violência armada durante todo o
período. Portanto, a ditadura do proletariado seria um período transitório que
desapareceria quando se eliminasse também a razão da opressão, ou seja, a
dominação da burguesia.
Marx usou a expressão pela primeira vez no seu livro “As
lutas de classe na França” de 1850 e a retomou na “Crítica do programa de
Gotha” de 1875. Porém, nunca detalhou a forma política peculiar que a ditadura
do proletariado deveria assumir. Inspirado na obra de Marx, coube a Vladimir
Lenin desenvolver a ideia de ditadura do proletariado. O pensador e
revolucionário russo destacou a importância da ação revolucionária do
proletariado ser dirigida por um partido de vanguarda coesamente organizado.
Após a derrubada do Estado burguês, caberia ao proletariado
organizado expropriar todo o capital da burguesia e centralizar os instrumentos
de produção nas mãos do Estado, abolindo a propriedade de terra e o direito à
herança. Parte desse programa fez parte dos desdobramentos de revoluções
socialistas no século XX, como por exemplo, na União Soviética e em Cuba. O
“socialismo real” acabou perdendo apoio na medida em que o novo Estado criado
se tornou mais forte ao invés de desaparecer e escapou do controle da classe
operária, se transformando na dominação de uma vanguarda do partido. Esse tipo
de sociedade não se aproxima à sociedade comunista sem classe descrita por Marx
e Engels no Manifesto Comunista.
A ideia da ditadura do proletariado foi bastante
questionada, por um lado por anarquistas (principalmente Bakhunin na Primeira
Internacional) por contribuir para perpetuar um estado autoritário e uma elite
dominante burocrática, e por outro lado por socialistas democratas e
reformistas, que acreditavam ser possível a transição ao socialismo sem a
necessidade da tomada revolucionária e violenta do Estado.
Bibliografia:
BOTTOMORE, Tom (editor). Dicionário do pensamento marxista.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
MARX, Karl
e ENGELS, Friederich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Martin
Claret, 2014.
Arquivado em: Sociologia, União Soviética
fonte : infoescola
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