Por Luiz Antonio Guerra
Mestre em Sociologia (UnB, 2014)
Graduado em Ciência Política (UnB, 2010)
Os estereótipos são pressupostos ou rótulos sociais, criados
sobre características de grupos para moldar padrões sociais. Um estereótipo se
refere a certo conjunto de características que são vinculadas a todos os
membros de um determinado grupo social. É, portanto, uma generalização e uma
simplificação que relaciona atributos gerais a características coletivas como
idade, raça, sexo, sexualidade, profissão, nacionalidade, região de origem,
preferências musicais, comportamentos, etc. Os estereótipos funcionam também
como modelos que pressupõem e impõem padrões sociais esperados para um
indivíduo vinculado à determinada coletividade.
Os estereótipos são reproduzidos culturalmente e interferem
(grade parte das vezes inconscientemente) nas relações sociais. Atualmente, os
meios de comunicação e informação possuem um importante papel de reforçar (ou
desconstruir) os estereótipos.
De acordo com o sociólogo Erving Goffman, o estereótipo se
relaciona com o estigma social nos processos de construção dos significados
através da interação. A sociedade institui como as pessoas devem ser, e torna
esse dever como algo natural e normal. Um estranho em meio a essa naturalidade
não passa despercebido, pois lhe são conferidos atributos que o tornam
diferente, podendo resultar na marginalização de indivíduos dentro de uma
comunidade.
Estereótipo e preconceito
Os estereótipos funcionam como uma espécie de rótulo ou
carimbo que marca um indivíduo pertencente à determinada coletividade
estigmatizada a partir do pré-julgamento sobre suas características, em
detrimento de suas verdadeiras qualidades individuais. Grande parte das vezes,
os estereótipos carregam aspectos negativos, errôneos e simplistas, e por isso
formam a base de crenças preconceituosas. Estereótipos e preconceitos podem se
expressar através de ironia, piada, antipatia, humilhação, insultos verbais ou
gestuais, chegando inclusive a reações mais hostis e violentas. É comum um
estereótipo orientar a primeira impressão de alguém sobre o outro, evitando o
contato entre os indivíduos, de maneira que a experiência de interação social
se restrinja ao preconceito previamente estabelecido, reproduzindo-o e
perpetuando o estigma e a marginalização de certos indivíduos e grupos.
Exemplos de estereótipos
Um exemplo comum é o estereótipo de beleza, que estabelece
qualidades físicas consideradas bonitas e atraentes – e por consequência, o que
se considera feio e repugnante. Em geral, o estereótipo relaciona o padrão de
beleza com características da classe dominante de uma época, no caso de
Ocidente, aproxima-se do perfil das pessoas brancas. No mundo globalizado, o
estereótipo padroniza os corpos e pode ocasionar uma série de obsessões e
frustrações individuais.
Outro exemplo de estereótipo é aquele que determina os
papeis, características e comportamentos de gênero. Desde cedo, os estereótipos
são reproduzidos na diferença de criação entre meninos e meninas, de forma que
tais padrões impostos nos acompanham durante toda a vida.
Alguns estereótipos evidentes estão também relacionados com
etnias, nacionalidades ou localidades. Podemos pensar nos estereótipos formados
em relação a nordestinos ou sulistas, árabes e judeus, portugueses e
argentinos, ou mesmo os estereótipos criados acerca de nós brasileiros. Vale a
pena ressaltar que estereótipos étnicos estão e estiveram na raiz da
intolerância política e de guerras, como na imagem que os nazistas tinham
acerca dos judeus como justificativa para o holocausto.
Outros estereótipos que se encontram muito presentes na
sociedade brasileira e que carregam uma grande carga de preconceito dizem
respeito aos homossexuais, aos negros, aos indígenas, entre tantos outros.
Referências bibliográficas:
GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da
identidade deteriorada. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.
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