Por Camila Betoni
Mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014)
Graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011)
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O feminismo é um movimento que luta contra todas as formas
de opressão exercidas sobre as mulheres e pela igualdade entre os gêneros.
Bastante plural e diverso, o feminismo também pode ser visto como uma corrente
filosófica, que atinge diferentes áreas do conhecimento, gerando desde uma arte
até uma historiografia feminista. Até o século passado, os saberes científicos
foram majoritariamente desenvolvidos por homens, que frequentemente ignoravam o
papel da mulher na sociedade, usando a autoridade científica para legitimar
hierarquias entre os sexos. Na medicina, por exemplo, inúmeros estudos se
dedicavam a “provar” a inferioridade física e intelectual da mulher.
Na antiguidade clássica - berço do modelo político de
democracia adotado pelo ocidente – as mulheres, assim como os escravos, eram
excluídas das esferas públicas, proibidas de participar das decisões políticas
e confinadas à vida privada e seus afazeres domésticos. No entanto, esse modelo
não se repetia em todas as civilizações daquele tempo. Há inúmeros registros de
outras culturas onde a divisão sexual do trabalho ou outra forma de
hierarquização de um sexo sobre o outro eram inexistentes. Na Idade Média, o
pensamento teológico dominante ligava a figura e o corpo da mulher ao pecado. A
Inquisição e a “caça às bruxas” foram responsáveis pela morte de milhares de
mulheres.
Na Europa do século XIX, as revoluções burguesas conseguem
instituir a igualdade formal dos homens no nível das leis e da política.
Entretanto, esse direito não se estende as mulheres, ainda que houvessem
participado das lutas por sua conquista. Aí surgem os primeiros movimentos
organizados de mulheres que se tem registro na história moderna. Elas exigiam
que os direitos conquistados pela Revolução Francesa não ficassem restritos aos
homens. Entretanto, a conquista do direito ao voto se deu muito posteriormente
na maioria dos países. Na Inglaterra e na França, o Movimento Sufragista
envolveu três gerações de lutas até que o direito ao voto feminino fosse
realidade, o que só ocorreu nas primeiras décadas do século XX.
Durante a consolidação do capitalismo industrial, a
mão-de-obra feminina foi extremamente desvalorizada, recebendo a metade do
remuneração do equivalente masculino. Dentro dos nascentes sindicatos, as
mulheres também enfrentaram preconceitos, o que fez com que muitas vezes
articulassem seus próprios espaços de luta. O dia 8 de março, hoje conhecido
como Dia Internacional da Mulher, remete ao ano de 1857, quando centenas de
operárias da indústria têxtil de Nova Iorque foram duramente reprimidas por
encamparem uma greve por melhores condições de trabalho.
No anos 1960, uma segunda onda do feminismo desponta
questionando radicalmente a naturalização dos papeis sociais de gênero.
Mulheres se dedicam a denunciar as formas como os processos de socialização
ensinam meninos e meninas a cumprirem seus papéis de dominantes e dominadas.
Essas feministas sustentam que o masculino e o feminino são criações culturais,
comportamentos que aprendemos desde cedo. Por ser um processo histórico e não
uma fatalidade biológica, a hierarquia entre os sexos pode então ser combatida
em todas as áreas. A partir dessa constatação as frente de luta do feminismo
não param de se multiplicar. Algumas das suas principais bandeiras são o fim da
violência doméstica e da cultura do estupro, a descriminalização do aborto, a
liberdade sexual, o fim da desigualdade salarial e o reconhecimento do trabalho
doméstico como um trabalho não pago. Dentro do feminismo alguns grupos também
se organizam a partir das suas reivindicações e experiências específicas, a
exemplo das mulheres negras, das mulheres trans e das lésbicas. Em todas as
suas representações diversas, o objetivo comum das feministas é o empoderamento
da mulher e o fim do machismo como um todo, desde as esferas políticas até os
meios de comunicação.
Bibliografia:
ALVES, Branca Moreira e PITANGUY, Jacqueline. O que é
feminismo? São Paulo: Ed. Abril Cultural e Brasiliense, 1985.
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