Por Gabriella Porto
A democracia racial é um termo usado por algumas pessoas
para descrever relações raciais no Brasil. O termo denota a crença de alguns
estudiosos que o Brasil escapou do racismo e da discriminação racial.
Estudiosos afirmam que os brasileiros não vêem uns aos outros através da lente
da raça e não abrigam o preconceito racial em relação um ao outro. Por isso,
enquanto a mobilidade social dos brasileiros pode ser limitada por vários
fatores, gênero e classe incluído, a discriminação racial é considerada
irrelevante (dentro dos limites do conceito da democracia racial).
O conceito foi apresentado inicialmente pelo sociólogo
Gilberto Freyre, na sua obra Casa-Grande & Senzala, publicado em 1933.
Embora Freyre jamais tenha usado este termo nesse seu trabalho, ele passou a
adotá-lo em publicações posteriores, e suas teorias abriram o caminho para
outros estudiosos popularizarem a ideia.
Freyre argumentou que vários fatores, incluindo as relações
estreitas entre senhores e escravos antes da emancipação legal dada pela Lei
Áurea em 1888, e o caráter supostamente benigno do imperialismo Português
impediu o surgimento de categorias raciais rígidas. Freyre também argumentou
que a miscigenação continuada entre as três raças (ameríndios, os descendentes
de escravos africanos e brancos) levaria a uma "meta-raça". A teoria
se tornou uma fonte de orgulho nacional para o Brasil, que se contrastou
favoravelmente com outros países, como os Estados Unidos, que enfrentava
divisões raciais que levaram a significantes atos de violência. Com o tempo, a
democracia racial se tornaria amplamente aceita entre os brasileiros de todas
as faixas e entre muitos acadêmicos estrangeiros. Pesquisadores negros nos
Estados Unidos costumavam fazer comparações desfavoráveis entre seu país e o
Brasil durante a década de 1960.
Nas últimas quatro décadas, principalmente a partir da
publicação em 1976 de Preto no Branco, escrito por Thomas Skidmore, um estudo
revisionista das relações raciais brasileiras, os estudiosos começaram a
criticar a noção de que o Brasil seja de verdade uma democracia racial.
Skidmore argumenta que a elite predominantemente branca na sociedade brasileira
promoveu a democracia racial para obscurecer formas de opressão racial.
Os críticos que se opõem à ideia da democracia racial,
afirmando que ela seja um mito, frequentemente usam como base a alegação genérica
de que não seria possível definir com exatidão à qual raça uma pessoa pertença
realmente, visto que os próprios indivíduos não são capazes de se definir.
Muitos pesquisadores relatam estudos em que demonstram a discriminação
generalizada nos campos do emprego, educação e política eleitoral. O uso
aparentemente paradoxal da democracia racial para obscurecer a realidade do
racismo tem sido referido pelo estudioso Florestan Fernandes como o
"preconceito de não ter preconceitos". Ou seja, porque o Estado assume
a ausência de preconceito racial, ele não consegue fazer cumprir o que existem
poucas leis para combater a discriminação racial, pois acredita que tais
esforços sejam desnecessários.
Michael Hanchard, cientista político da Universidade John
Hopkins, argumenta que a ideologia da democracia racial, muitas vezes promovida
por aparatos estatais, impede uma ação efetiva de combate à discriminação
racial, levando as pessoas a atribuírem a discriminação a outras formas de
opressão e permitindo que funcionários do governo acusados neguem a sua
existência, mesmo que apenas inicialmente.
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_racial_no_Brasil
http://www.imil.org.br/artigos/a-importancia-de-gilberto-freyre-para-a-construcao-da-nacao-brasileira-parte-ii/
Arquivado em: Sociologia
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