Por Marcele Juliane Frossard de Araujo
Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio, 2015)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2012)
Status social é um conceito sociológico que busca posicionar
na estrutura social de uma determinada sociedade um indivíduo ou família. O
conceito de status social é normalmente associado ao sociólogo Max Weber, que o
criou para analisar prestígio, poder e pertencimento social, aspectos que o
conceito de classe de Karl Marx não aborda.
Segundo Max Weber neste conceito a sociedade estamental é
divida em grupos de status, que são determinados pela honra de seus
integrantes, que ditam regras e estilos de vida para os demais pertencentes. Um
exemplo desse tipo de sociedade é a sociedade feudal européia. Os diferentes
grupos de status respondem, portanto, a uma hierarquia, conhecendo seus
direitos e deveres, respeitando acordos e restrições.
Os estudos sobre estratificação social, como os de classe e
status social, buscam classificar como os indivíduos se organizam, portanto
possuem um caráter classificatório. As sociedades urbanas e industrializadas,
devido a sua complexidade, são um obstáculo para a aplicação deste conceito. Ao
longo do século XX diferentes estudiosos buscaram compreender a relação entre
status social e classe, como Pierre Bourdieu.
A metodologia dos estudos sociais, devido ao seu caráter,
buscam determinar a posição de individuos e famílias na estrutura social.
Muitas metodologias foram desenvolvidas para obter maior precisão nessas
análises, aspectos tais quais grau educacional, bairro de residência, posição
hierárquica da profissão, dentre outros. Porém, como é perceptível, o conceito
de status social é multidimensional.
Para autores como August B. Hollingshead (1975) o status
social pode ser determinado de acordo com a combinação de quatro fatores: grau
educacional, ocupação, sexo e estado civil. Esses quatro fatores são
fundamentais porque: o grau educacional varia muito pouco durante a fase adulta
e indica o nível de conhecimento formal adquirido por um indívuo, o que
provavelmente determina seus gostos, hábitos, e outras características. Muitas
ocupações de grande prestígio social exigem um alto nível de formação
educacional, elas podem até variar ao longo da vida, mas normalmente estão
atreladas ao nível educacional do indivíduo. A partir da ocupação profissional
de uma pessoa é possível mensurar o grau de poder que ela possui. O sexo
determina o nível de poder que o indvíduo pode ter, principalmente se
considerarmos as desvantagens que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho
e em outros espaços da sociedade ocidental. Por fim, o estado civil determina o
status individual no sistema familiar.
Aspectos simbólicos influenciam o status social, ou seja,
ele não depende apenas do poder econômico, mas de outras caracteríticas, como
educação formal. Por exemplo, um jogador de futebol, mesmo que seja muito rico,
sempre é reconhecido por ser jogador de futebol. Caso ele se torne político,
ele adquire um novo status social, porque seu poder social aumenta. O poder de
influência, o poder de ditar regras, o poder de acessar outros estamos sociais
e etc. Da mesma forma, uma professora universitária quase nunca é classificada
devido à sua renda, mas ao seu prestígio no meio em que trabalha.
Por fim, status social é um conceito, uma categoria
abstrata, que indica a posição de um individuo ou família na estratificação
social de uma determinada sociedade. Comumente ele é apresentado em oposição ao
conceito de classe. Uma forma atual de se mensurar o status social se relaciona
com o poder de consumo e os objetos deste consumo.
Referências bibliográficas:
BOURDIEU, P. Capital simbólico e classes sociais. Novos Estudos, julho de 2013.
HOLLINGSHEAD,
A. B. Four Factor Index of Social Status (Non-published work, 1975). Yale
Journal of Sociology Volume 8 Fall, 2011.
WEBER, Max.
Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro, LTC, 2011.
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fonte : infoescola